20 coisas que você gosta de fazer

Dentre as atividades sugeridas na Semana 2 do Guia Prático para a Criatividade, no capítulo Recuperando a Noção de Identidade, está uma atividade simples mas que me fez pensar e ser muito feliz!

semana2

A Julia Cameron sugere que façamos uma lista de 20 coisas que gostamos de fazer. Vale qualquer coisa: lavar louça (se é que tem alguém que gosta disso), cantar, desenhar, arrumar o armário… qualquer coisa! Depois temos que escrever do lado de cada item há quanto tempo não fazemos cada uma dessas coisas.

É tipo uma Bucket List, mas de coisas que você já fez q já sabe que gosta e que te fazem bem.

A minha lista ficou recheada de coisas que fazia muito quando era criança, como boiar e andar descalça, e outras que eu continuei fazendo na vida adulta, como receber massagem e beber chá. Escrevi essa lista durante as minhas férias, quando lembrei muito da minha infância porque voltei ao cenário de várias das minhas aventuras infantis: Nova Friburgo. Qual não foi a minha surpresa quando descobri que havia feito a maior parte dessas coisas que amo e que inclui na lista naquela semana? Mas que, antes disso, havia anos que não fazia nada disso! Inclusive massagem. Dá pra acreditar?

emoji

Se coisas tão bobas como boiar nos fazem tão bem, POR QUE NÃO FAZEMOS ISSO COM FREQUÊNCIA? Até onde eu sei, eu ando de metrô e passo 8h diárias dentro do ar condicionado. Mas o que eu gosto mesmo é de andar no meio do mato. Moro a 15 minutos da maior floresta urbana do mundo e a menos de 3h de um dos lugares mais importantes da minha infância, como consegui passar anos (ANOS) sem ir a nenhum desses dois lugares?

Minha missão esse ano é fazer todas essas coisas com uma frequência decente e capaz de me fazer feliz apesar das chatices da vida.

Uma dessas coisas é escrever. E por isso resolvi que vou aparecer mais vezes aqui :)

3 vezes por semana? Assunto é o que não falta já que as 3 páginas matinais diárias nunca são suficientes para tudo o que eu tenho pra contar…

Bucket List

Um belo dia, minha irmã me disse que estava fazendo uma lista de 100 coisas que trariam felicidade a ela. Como assim? Assim: o coach dela pediu que ela escrevesse 100 coisas que ela gostaria de fazer na vida e que a fariam feliz se ela fizesse.

Achei a ideia da Bucket List interessante e resolvi tentar. Demorei alguns dias pra chegar nos 100 itens, mas quando cheguei… Olhei pra lista e pensei: “POR QUE DIABOS EU NÃO FAÇO ESSAS COISAS DE UMA VEZ?”

pensativo

Então, eu comecei. Coloquei alguma em prática, como ir ao spa e correr a São Silvestre. E posso dizer? Por que a gente gasta tempo fazendo coisas que não nos fazem feliz?

Não estou falando do seu trabalho ou de aturar algum parente chato, porque essas coisas fazem parte da nossa vida e não podemos simplesmente viver de luz ou abandonar os chatos da família à própria sorte. Estou falando das coisas que você quer fazer! Do que te faz feliz! Por que você não faz isso?

Sempre vamos ter coisas chatas pra fazer na vida, mas se a gente faz o que deixa a gente feliz e o que a gente realmente gosta, se realiza nossos sonhos no caminho, fica mais fácil lidar com as chatices…

paris

São Silvestre

Daí que um dos itens da minha Bucket List era correr a São Silvestre.

Como 90% dos brasileiros, passei grande parte dos dias 31 de Dezembro da minha infância assistindo a Corrida de São Silvestre com o meu pai.

Quando eu era criança, a corrida era à tarde. Me lembro de assistir a São Silvestre com meu pai enquanto rolavam os últimos preparativos da ceia de Ano Novo lá em casa. Acompanhava aqueles quenianos correndo como se fosse algo que eu nunca na vida fosse ser capaz de fazer.

Nunca fui nem perto do que possa ser considerado um atleta (nem amador!) quando era criança ou adolescente. Sempre fiz exercício (balé, jazz, academia, yoga, pilates) porque sempre tive muita energia, então sempre precisei gastá-la. Mas correr nunca fez parte da minha vida até 3 anos atrás.

A culpa foi do meu namorado, que já corria e, inclusive, já havia corrido uma meia maratona do Rio! Depois de várias felizes coincidências, que conto numa outra oportunidade, comecei a treinar certinho e consegui correr 12km num belíssimo sábado de sol na Lagoa, do qual nunca vou me esquecer. Porque, no início, dar 1 volta na Lagoa parecia impossível. Então, naquele dia, uns 2 anos depois de começar a correr 3 vezes por semana, dei uma volta (7,5km) e mais um outro tanto (5km) e sobrevivi. Na verdade, me senti um máximo!

Uns 6 meses depois desse glorioso dia e tudo parecia ter mudado. Parei de treinar e me vi decidida a pagar o treinador do meu bolso (até então a minha empresa pagava o meu treinador) porque cheguei à conclusão que não faria nada se não tivesse alguém pra me cobrar. Paguei. E decidi que, se era pra voltar a correr, teria um meta pra me incentivar. E se era pra pagar pra correr alguma coisa, ia gastar R$ 150 pra correr a São Silvestre, algo que sempre me pareceu impossível de realizar, mas que havia se tornado até bem possível depois dos 12km.

Me inscrevi e voltei a treinar.

Tenho que confessar que não treinei direito. Faltei vários treinos e, pior, deixei de fazer vários longões (treinos mais longos normalmente feitos aos sábados). Porque, no meio do caminho, comecei a fazer uma pós graduação aos sábados e ainda tinha todos os compromissos de fim do ano… Me dei mal.

Mas embarquei pra São Paulo feliz da vida, tipo criança. Fui vendo a geografia maravilhosa que existe entre Rio e São Paulo do alto do avião #NerdezaGeográfica Fiquei 1 hora na fila pra pegar o kit e mantive a dieta na véspera. Aproveitei pra visitar meu amigo Monet no MASP. Dormi ansiosa e acordei animadíssima!

A prova começou pra mim 20 minutos depois da largada oficial, pois esse foi o tempo que eu levei pra chegar de onde eu tava até a largada, com o mar de gente que tinha na Paulista. O início da corrida foi tipo o Bola Preta, só que com corredores no lugar de foliões bêbados. Lindo, lindo, lindo. O povo animadíssimo dentro dos 2 mergulhões foi de arrepiar!

img_9039

Dali seguimos por uma parte mais residencial de São Paulo. Corri esse início todo do lado das meninas da minha assessoria e da nossa treinadora, o que foi um incentivo a mais. Só me separei delas no 1º posto de hidratação.

Pausa pra explicar o drama: sabia que estaria MUITO CALOR, então reforcei a hidratação no dia anterior, bebendo quase 4 litros de água. Conversando com 3 pessoas que haviam corrido a prova no ano anterior, fiquei sabendo que a hidratação tinha sido “perfeita”, com distribuição de Gatorade e tudo. Fiquei tranquila. Levei uma mini garrafa de água pra largada, que terminei de beber antes de começar a correr e fiquei esperando a hidratação perfeita da São Silvestre. Mas não foi nem um pouco perfeita.

Como eu larguei 20 minutos depois do início oficial e corro devagar (meu pace confortável é 7!), só consegui pegar água no 1º posto de hidratação. Quando cheguei no 2º posto, a água tinha acabado e está começando uma pequena confusão que, graças a Deus e aos ânimos pacíficos brasileiros, não deu em nada.

As meninas da minha assessoria e a treinadora, todas tinham mochila de hidratação e 2 litros de água garantidas. Eu não. Parei no 1º posto, peguei 2 copinhos de água e me separei delas.

Entre o 1º e o 2º posto de hidratação, havia um pedaço enorme de chão. E zero sombra. Zero. Passei emocionada do lado dos moradores de rua de um abrigo que estavam do lado de fora para torcer pela gente

Nessa hora, meu pensamento já era: “se tiver alguém vendendo água, eu compro”. Mas não tinha nenhum vendedor sequer!

E até eu encontrar a água, precisaria subir o que parecia uma subida infinita de um viaduto que só pode ser “obra do cão”!

obra-do-cao

No meio da subida, já estava desidratada, com dor de cabeça e a boa mais seca que o deserto do Saara!

Cheguei no 2º posto de hidratação e vi o início de confusão. Mas Deus é foda e tinha um posto de gasolina logo atrás, COM LOJA DE CONVENIÊNCIA aberta em pleno último dia do ano. Olha, o caixa desse estabelecimento deve ter recebido umas 500 graças desde então porque não foi pouca gente que agradeceu a Deus por ele estar trabalhando, sozinho, na maior boa vontade do mundo, naquele posto no meio do caminho da São Silvestre. Amigo do posto Shell, valeu!

Foram uns 10 minutos no mínimo na fila. Fiz até amizades! E mandei mensagem pra família dizendo que estava faltando água, mas que eu tinha levado R$50 (abençoado seja o momento que resolvi colocar esse $ no bolso do short!) e tava comprando água e Gatorade.

Foi o que me salvou. Saí de lá e ainda compartilhei o resto do Gatorade com uma amiga que estava sentada no meio fio. Voltei a correr animada, mas logo desanimaria de novo nas 20 voltas que eu dei no mesmo quarteirão do Centro antigo de São Paulo. No início, tava achando ótimo porque não conhecia aquela parte da cidade, então foi um “trote turístico” (rs), mas depois comecei a ficar tonta de tanta volta que dei!

Parei numa quitanda pra comprar mais uma garrafa de água (nesse momento, já havia tomado 2 garrafas de 500ml + os 2 copinhos do início + 90% de uma garrafa de Gatorade e continuava com sede). Meu lado pão dura (que é basicamente a minha pessoa inteira) ama SP porque uma garrafa de água mineral lá custa R$ 2! Aqui no Rio não se compra água por menos de R$ 2,50 nem na Zona Norte! Sem contar que, dependendo do lugar, custa R$ 6…

Mesmo assim, gastei R$ 15 em bebidas durante a São Silvestre porque parei outra vez no início da Brigadeiro pra comprar a 4ª garrafinha da prova numa birosca (R$2 também).

Outa iluminação divina foi ter tomado um gel de carboidrato antes de começar a subir a Brigadeiro. Não fui à nenhuma nutricionista e fiz todos os longões (os poucos que eu fiz) sem nenhuma suplementação específica. Aprendi a lição e já fui na nutri pra ajudar a chegar no próximo objetivo sem tanto sofrimento!

Mas quando vi que os 2km finais de subida interminável estavam chegando, comi o gel que eles deram de brinde no kit da prova. Subi a Brigadeiro feliz, devagar, mas de boa, e cheguei na Paulista achando aqueles 2km pouco. E a inclinação nem era tanta assim (não se iludam: a subida é tensa: mas é que o gel somado às endorfinas não me deixaram ver isso na hora).

Chegar de volta à Paulista foi provavelmente o ponto alto de um ano que não teve tantos altos assim né? :P Terminei a prova muito feliz! Não deu pra comemorar muito porque estava sozinha. Mas me perdi pra voltar pro hotel e isso provavelmente é o suficiente pra mostrar o quanto uma pessoa com um bom senso de direção, num lugar que conhece, estava feliz #SouEstranha

Não sei se vou voltar porque o trauma foi grande. Passei 4 dias bebendo água de litro em litro. No aeroporto, voltando pro Rio no próprio dia 31, pedi 1 frapuccino de mocha VENTI, 1 água de coco e 2 águas minerais no Starbucks. Sim, eu podia pedir 1 água mineral e depois encher a garrafa no bebedouro, mas é porque não fazia sentido beber SÓ 1 garrafa de água. O que são 500ml pra uma pessoa desidratada?

img_9044

De qualquer jeito, foi uma das experiências mais malucas e emocionantes da minha vida. Correr 15km sem estar preparada num sol de rachar… Quer dizer, correr a São Silvestre! ;)

E foram muitas lições. A principal delas: faça uma Bucket List e faça as coisas que escreveu nela! Porque fazer uma coisa que você sempre quis fazer é libertador… e traz muita felicidade!

Uma semana no Spa

Como escrevi aqui, durante as minhas férias, passei uma semana no Spa Maria Bonita.

A vontade de voltar pro spa já existia há anos, mas foi só quando eu escrevi minha Bucket List que eu decidi que já tava na hora de parar de sonhar e colocar em prática.

Em 2007, eu passei 2 dias no Maria Bonita em um evento da Escola de Gente. Passei fome, fiquei com a pressão baixa e, o pior de tudo, sofri horrores com a abstinência de café. Queria me testar pra ver o que aconteceria se eu voltasse…

Então, eu voltei!

img_9125

No primeiro dia de 2017, peguei a van pro spa, que fica em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro. Detalhe: não deu tempo de almoçar! Comi um açaí (gigante) antes de viajar e tomei um café (o último da semana) no meio do caminho e só.

Só a viagem daqui até lá já é maravilhosa. Amo a região serrana! Difícil encontrar algo tão bonito quanto a vista do Dedo de Deus no meio da estrada. De tirar o fôlego!

Além disso, já na ida começaram os flashbacks. Ia muito pra Teresópolis e Nova Friburgo na minha infância e adolescência, então foi uma viagem de muitas memórias lindas.

Chegando no spa, fomos recebidos com um “pudim de banana”. Lembro desse mesmo lanche quando eu fui pra lá da outra vez. O problema: eu odeio banana! Mas estava faminta, então comi. Nos outros dias, como avisei à nutricionista que não comia banana, sempre tinha uma opção diferente para mim (ou eles faziam algo na hora).

O jantar do 1º dia foi uma sopa enorme e deliciosa de legumes. Nesse dia eu ainda não conhecia as pessoas e tinha ido com a ideia de ficar bastante tempo sozinha. Então, foi o que eu fiz. Li, tomei banho de água mineral (TODA a água do spa é mineral, inclusive a dos chuveiros e da piscina) e dormi. Muito bem. É delicioso dormir no fresquinho da serra, sem barulho nenhum e só a luz (surreal) da lua e das (MILHARES) de estrelas.

Inclusive, esse foi um dos meus “tratamentos” preferidos enquanto estava lá: ver as estrelas! O ceú de lá é tão maravilhoso… De dia, ficava na piscina, viajando no movimento das nuvens. De noite, sentava na varanda do meu quarto e ficava vendo a lua e as estrelas. E as estrelas cadentes. E os vaga-lumes. Gente, como a gente sobrevive na cidade sem essas coisas???

img_9208

Outro “tratamento” gratuito do spa é a música ambiente: de dia, diversos passarinhos; de noite, SAPOS. Muitos sapos!

Preciso interromper a descrição da minha viagem para contar uma história da minha infância. Passei pelo menos metade das férias escolares da minha vida no sítio do meu tio-avô, em Friburgo. No verão, tinha muito sapo! Tipo, uma quantidade absurda de sapos! Para chegar da casa de hóspedes até a casa principal, você tinha que subir uma escada. Nas noites de verão, quando íamos até a casa principal, nos deparávamos com, no mínimo, um sapo em cada degrau da escada. Às vezes tinham 2 ou 3 sapos em cada degrau. Muito sapo!

Um dos meus maiores medos de infância era ir ao banheiro e ter uma perereca dentro do vaso. Sempre morei no Rio de Janeiro, respirando poluição e brincando no play, mas as pererecas que apareciam no vaso sanitário da casa de hóspedes eram tão apavorantes que eu verifico, ATÉ HOJE, todos os vasos sanitários do mundo antes de sentar! Só me dei conta de que essa mania esquisita vinha daí quando ouvi novamente o concerto de sapos lá no spa.

Sobre a alimentação, no fim, não sofri quase nada. Não passei fome, mas, como não precisava emagrecer tinha o privilégio de comer um pouco a mais em algumas refeições. A comida de lá é maravilhosa! As saladas são as melhores que já comi na vida. Tudo muito bem temperado, mas em quantidades reduzidas e com pouco sal.

Não tive pressão baixa, pelo contrário, inclusive corri 40 minutos em um dia e 50 minutos no outro. Caminhava em média 6km por dia e fiz funcional e hidroginástica algumas vezes.

A abstinência de café foi totalmente contornada com 2 xícaras de chá verde ou branco por dia, liberados pela nutricionista. Levei um bando de comida na mala, porque fui direto de outra viagem pra lá, mas não tive vontade nem precisei beliscar nenhum dos lanchinhos saudáveis que tinha comigo.

Meu principal objetivo lá não era emagrecer; era testar se eu passaria tão mal como na primeira vez, quando eu ainda jantava joelho com mate no intervalo da faculdade. Ficou comprovado que agora estou bem mais adaptada à alimentação saudável do que nunca.

img_9274

O objetivo secundário era ficar na minha, ler, organizar as ideias, descansa. Também fiz isso, ao mesmo tempo que me diverti com as pessoas super legais que estavam no spa na mesma semana que eu. O pessoal era muito animado e transformava até a hidroginástica em festa!

No fim, o que eu senti mais falta foi de proteína mesmo. A alimentação do Maria Bonita é baseada no Higienismo e inclui 1 (um mísero) ovo e 1 filé de peixe durante toda a semana. Eu também comi arroz com feijão 2 vezes, mas apenas porque estava no grupo dos que podiam comer um pouquinho mais.

Além da Hidrofitoterapia, dos litros de chá (verde, de gengibre, de hortelã…) e da comida orgânica, minha semana no spa também incluiu shiatsu e massagem relaxante. E vários exercícios do Caminho do Artista, como boiar, ver as nuvens, escrever e passear com meu artista interior no meio do mato.

img_9206

Foram dias de uma pausa merecida e fértil, de muitas reflexões e decisões como voltar a escrever aqui. E ter uma horta. E voltar mais vezes pra serra…

Chá

teatottally

Meu amor por chá vem de longe. Quando eu era criança, não podia sentir nenhuma dorzinha que minha avó já vinha receitar: “pra isso, é bom tomar chá de…”. Cada coisa tinha um chá pra curar! Nem sempre o chá acabava com a cólica ou melhorava imediatamente o enjôo, mas aquele quentinho sempre aliviava um pouco e (eu sei que é clichê, mas é verdade) aquecia a alma.

foreveryocasion

Não tem como tomar chá atualmente e não lembrar disso! É a definição de comfort food pra mim (ou comfort drink).

Passei alguns anos esquecida desse poder maravilhoso de um chazinho até que a nutricionista sugeriu que eu tomasse chá de hortelã depois do almoço e chá de camomila antes de dormir. E são os meus preferidos!

Quer dizer, nunca parei de tomar chá, mas admito que, durante alguns anos, só tomava chá verde pra não acordar de ressaca (e funciona, viu?).

Desde que redescobri o chá na minha vida, me apaixonei por uma marca de chá gringa chamada Yogi Tea, que faz as misturas mais maravilhosas que conheço! Vale inclusive com o câmbio desfavorável.

yogi

Por isso, na semana passada, não pensei 2 vezes depois de descobrir o que era a Hidrofitoterapia. Passei uns dias no Spa Maria Bonita, em Friburgo, e essa foi, de longe, a terapia que mais gostei. Quer dizer, pra mim, foi a melhor parte da semana! A melhor uma hora e meia de um período de muitas coisas maravilhosas.

A hidrofitoterapia é baseada na naturopatia, um tipo de medicina natural que surgiu na Alemanha. A terapia inclui escalda-pés, esfoliação e infusão de ervas, com o objetivo de tratar o corpo de modo natural, através do uso de ervas medicinais. A parte mais legal (e intrigante) é que você “veste” a infusão de ervas, em um “pijama” encharcado de… chá! E depois fica uma hora vestido nesse pijama e enrolado em toalhas quentes, um plástico e cobertores: uma sauninha particular!

Desde o início da terapia, quando mergulhei meus pés naquele escalda-pés maravilhoso e ouvi a origem européia da coisa, lembrei imediatamente da minha infância, dos chás da minha avó e da horta-desejo-de-vida que minha tia-avó mantinha na frente da casa dela, em um sítio não muito longe dali, em Friburgo mesmo.

Enrolada em  um pijama cheio de chá, com cheirinhos surpreendentes, dentro da minha sauna particular, relaxei por uma hora (que mais pareceu 10 minutos) lembrando da minha infância, das pessoas que me marcaram absurdamente e não estão mais por aqui, e de como tudo aquilo que eu vivi nos meus primeiros anos de vida ainda molda os meus sonhos do presente.

Lindo demais. Infelizmente, tive que sair do casulo-sauna e voltar à realidade, não sem antes tomar um chazinho (de camomila!) que a terapeuta me deu no final.

Voltei pra casa com a determinação, ainda maior, de ter minha própria horta e de tomar cada vez mais chá.

O Caminho do Artista

No início de Dezembro, minha amiga Luciana me convidou para participar de um grupo de leitura. O livro a ser lido: “Guia Prático para a Criatividade” (“The Artist’s Way”, em inglês), da Julia Cameron.

taw-25-cover

Como o mesmo está esgotado em todas as livrarias (inclusiva na Estante Virtual), lemos um PDF compartilhado entre nós, com finalidades totalmente opostas às comerciais.

O livro reúne diversas lições que a Julia foi juntando com o passar dos anos, no seu caminho como artista e ajudando outros artistas “bloqueados”. A ideia é libertar a criatividade de quem lê e implementa as estratégias propostas pela autora, a essa altura já quase uma amiga de infância, vencendo velhos medos, identificando as causas dos nossos bloqueios e colocando em prática aquilo que é nosso dever para com o Criador.

Explico: como uma “eletricidade espiritual”, um dos princípios básicos do livro é que somos criações de Deus, o maior artista (aka Criador) do Universo, e, por isso, devemos retribuir sendo criativos como Ele. Pareceu espiritual demais? Do mesmo jeito que não entendo como a eletricidade funciona (sou de Humanas!) mas a utilizo diariamente, você também pode utilizar esse princípio sem entender bem como ele funciona ou mesmo acreditar. Basta fazer o que a Julia manda.

A primeira coisa que ela mandou fazer foi ler os Princípios Básicos todos os dias. São eles:

  1. A criatividade é a ordem natural da vida. Vida é energia: pura energia criativa.
  2. Existe uma força criativa subjacente que habita em nós e infunde tudo o que é vida – inclusive nós mesmos.
  3. Quando nos abrimos para nossa criatividade, nos abrimos para a criatividade do criador dentro de nós e de nossas vidas.
  4. Nós próprios somos criações. E, em contrapartida, fomos feitos para dar continuidade à criatividade sendo criativos.
  5. A criatividade é uma dádiva que nos foi dada por Deus. Usar nossa criatividade é nossa dádiva a Deus.
  6. A recusa de ser criativo é um ato de vontade própria e vai de encontro à nossa verdadeira natureza.
  7. Quando nos abrimos à exploração da nossa criatividade, nos abrimos a Deus: direção sistematicamente eficaz.
  8. Quando abrimos nosso canal criativo ao criador, podemos esperar muitas mudanças poderosas, embora sutis.
  9. É seguro abrir nossa ser à criatividade cada vez maior.
  10. Nossos sonhos e anseios criativos vem de uma fonte divina. À medida que caminhamos em direção aos nossos sonhos, caminhamos em direção à nossa divindade.

Depois, ela pede que todos os dias escrevamos 3 “Páginas Matinais”. Já tinha ouvido a Victoria, do site Femme Head, falar sobre esse hábito que ela tinha de escrever 3 páginas logo após acordar. E é basicamente isso: você tem que escrever 3 páginas de QUALQUER COISA assim que acordar. O objetivo é tirar da sua mente os pequenos problemas que vão te impedir de ser realmente criativo durante o dia e também de dar ideias e de ser insulo para sua vida criativa. Dá pra entender melhor vendo o video da Victoria abaixo (em inglês):

A terceira prática que a Julia ensina é a do “Encontro com o Artista”, que é um encontro semanal com o seu artista interior. Sim, você tem um artista interior esquecido aí dentro de você. E, sim, você precisa levá-lo para passear! Mas tem que ser a sós! Só você e o seu artista (ou seja, só você mesmo).

Depois ela vai ensinando novas técnicas, mas não vou falar tudo logo de uma vez e acabar com a surpresa!

O que eu posso dizer é que, desde que comecei a escrever minhas páginas matinais, marcar encontros meu artista interior e encher meu poço (assunto para um próximo post), muitas mudanças sutis começaram a acontecer, como a Julia mesmo falou. E uma delas foi voltar a escrever nesse blog :)