As Ferramentas Básicas

Nesse capítulo, a Julia explica as 2 ferramentas básicas de todo o processo: as Páginas Matinais e o Encontro com o Artista.

Páginas Matinais

Amadas páginas! Eu AMO minhas páginas!

Nem sempre escrevo de manhã, mas o amor é o mesmo a qualquer hora do dia.

O que são: 3 páginas que você escreve assim que acordar.

Só isso.

Mas é muito mais do que isso!

O objetivo é você enxergar claramente o que está acontecendo com você, olhar sua vida a uma certa distância que permita que você avalie melhor as coisas.

Só que para isso você precisa escrever sem se censurar. Deixe seu censor interno de lado e coloque no papel tudo o que você pensar. Qualquer besteira. Todas as picuinhas. Suas reclamações, seus sonhos, coisas que você leu em outro lugar e gostou.

Só sei que chega uma hora que você começa a enxergar as soluções, os seus desejos, o que você realmente quer fazer. Então, faça.

Parece simples, mas é bem complexo. Só que funciona que é uma beleza!

Amo tanto que depois prometo que irei escrever um post sobre minhas páginas matinais (ou vespertinas ou noturnas).

Encontro com o Artista

Essa é a parte mais divertida: marque de encontrar o seu artista. Sim, seu artista interior.

Ah e se você não sabe: seu artista interior é você mesmo. Mas ele fica aí esquecido no meio de todo o resto da chateação do dia a dia. Então, se lembre dele e agende um encontro.

Uma hora semanal com seu artista. Ou seja, uma hora sozinho. Só você e seu artista. E faça alguma coisa legal com ele!

Em algum momento, me dei conta que de minha artista interior é uma menina, então passei a chamá-la no feminino. Já a levei para correr, já fomos ao Saara (ela odiou), ao salão de beleza (ela adorou), pintamos livros de colorir das princesas da Disney. Tento fazer coisas diferentes. Mas ela gosta mesmo do básico, sabe?

Parece ridículo, mas às vezes esse momento nem precisa de muito planejamento. Principalmente para uma pessoa como eu, que sempre gostei de ficar sozinha. É só uma recordação de que isso é importante. Porque precisamos ENCHER O POÇO.

Não adianta só querer criar coisas novas, ter ideias, fazer arte. Precisamos repor tudo o que tiramos do nosso “poço da criatividade”. É como nos alimentar. Temos que ter um estoque e ele deve ser um estoque de qualidade. Temos que cuidar de nós mesmos, repor nosso estoque de imagens, ideias e emoções. E nada disso custa dinheiro.

Agora, com licença, que tenho um encontro com minha artista, num lugar q ela ama: o salão.

Eletricidade Espiritual

O conceito básico por trás de todo o livro Guia Prático de Criatividade (também conhecido como O Caminho do Artista) é o da “Eletricidade Espiritual”.

Sim, Deus.

E não importa se você é ateu ou se nunca entendeu bem como Deus “funciona”.

A grande maioria de nós nunca entendeu realmente como a eletricidade funciona, mas apertamos o interruptor e esperamos que a luz se acenda. Temos fé na eletricidade. Agora temos que fazer a mesma coisa com o resto das nossas vidas: acreditar que O Grande Criador vai nos ajudar quando pedimos.

Preciso dizer que comecei a ler “O Caminho do Artista” achando que não era artista nada e que estava muito bem onde estava, obrigada. Bem, não é bem isso que estou descobrindo…

E por quê? Porque fui inteiramente convencida por todos os argumentos da Julia Cameron. Fui racionalmente convencida, inclusive, de ser menos racional. Já acreditava em Deus antes, mas ouso dizer que agora estou até abusando um pouco dEle. Mas é tudo porque a Julia disse que devemos pedir ajuda a Ele!

Olha, tenho que dizer que estou cada vez mais convencida. De tudo!

Nesse capítulo, a Julia apresenta os “Princípios Básicos” do processo. A ideia é que você leia esses princípios todos os dias. Sim, todos os dias. Eu avisei que teriam tarefas…

Imprimi esses princípios e pendurei na minha mesa de trabalho. Admito que não li to-dos-os-di-as, mas leio sempre que me lembro (ou que preciso).

Princípios Básicos

  1. A criatividade é a ordem natural da vida. Vida é energia: pura energia criativa.
  2. Existe uma força criativa subjacente que habita em nós e infunde tudo o que é vida – inclusive nós mesmos.
  3. Quando nos abrimos para nossa criatividade, nos abrimos para a criatividade do criador dentro de nós e de nossas vidas.
  4. Nós próprios somos criações. E, em contrapartida, fomos feitos para dar continuidade à criatividade sendo criativos.
  5. A criatividade é uma dádiva que nos foi dada por Deus. Usar nossa criatividade é nossa dádiva a Deus.
  6. A recusa de ser criativo é um ato de vontade própria e vai de encontro à nossa verdadeira natureza.
  7. Quando nos abrimos à exploração da nossa criatividade, nos abrimos a Deus: direção sistematicamente eficaz.
  8. Quando abrimos nosso canal criativo ao criador, podemos esperar muitas mudanças poderosas, embora sutis.
  9. É seguro abrir nossa ser à criatividade cada vez maior.
  10. Nossos sonhos e anseios criativos vem de uma fonte divina. À medida que caminhamos em direção aos nossos sonhos, caminhamos em direção à nossa divindade.

A ideia é internalizar esses princípios e realizar as tarefas propostas a cada semana, de modo que a gente possa se distanciar um pouco da nossa vida cotidiana para analisá-la propriamente.

Só digo uma coisa: tô analisando cada parada…

Introdução – Guia Prático para a Criatividade

Na introdução, Julia Cameron já deixa claro qual o seu papel: ela “ensina” criatividade, ensinando as pessoas a se permitirem ser criativas.

Sim, todos somos criativos.

Até você que discorda disso.

Sou um ótimo exemplo disso. Passei a minha vida inteira achando que não era criativa. Mas olho para trás e vejo quanta coisa eu CRIEI! Escrevi redações lindas na escola, algumas merecedoras de troféus, inclusive. Apresentei um trabalho na faculdade que terminou com a turma inteira cantando “Eduardo e Mônica” em coro (não fui eu que escolhi essa música!). Fiz outro trabalho baseado em covers toscos de clipes famosos que recebeu 10 da professora mais exigente da faculdade. Depois fiz sozinha um trabalho em grupo que era totalmente diferente de tudo o que todos os outros grupos apresentaram. Me lembro de olhar aquilo e pensar: “ou eu estou certa e todos estão errados ou todos estão errados e eu estou certa”. Era a 2ª opção. Mais um 10 com a mesma professora mais exigente da faculdade.

Passei 6 meses dizendo para mim e para os outros que não tinha nenhuma ideia sobre o que eu ia escrever na minha monografia. No fim, aceitei uma sugestão de um amigo e escrevi o que precisava escrever de teoria da comunicação para poder passar 6 meses lendo quadrinhos da Mafalda. Foi assim: eu amo a Mafalda, então decidi escrever sobre ela. Olhei os quadrinhos e escolhi um tema relacionado ao que havia estudado na faculdade só para poder usá-la como exemplo. Escolhi o que ia fazer baseado no que queria fazer. Foi lindo.

No trabalho, logo que cheguei, olhei um gráfico que me disseram que contemplava os temas mais importantes para o negócio da empresa. “Nada a ver”, pensei, “temos que fazer isso do nosso jeito”. Não sosseguei até que consegui. E ainda fiz amigos no caminho.

Isso sem contar as 364.986.428 vezes que eu, quase literalmente, me atirei de várias janelas e despenquei de diversos barrancos. E do rastro de incompreensão que deixei pelo caminho! Falei que sou impulsiva.

Normalmente, levo a fama de maluca. Descontrolada. Nervosinha. Preciso ouvir que “desperdiço minha energia”. Não. Minha energia está no lugar exato em que devia estar. E todos os barrancos me levaram sempre pros lugares certos.

Se isso não é criatividade, eu não sei o que é.

Com certeza, O Grande Criador, como diz a Julia, ou Deus, como eu prefiro chama-lo, me pega pela mão (ou pela orelha) e me guia nessas horas. E se você não acredita nisso, isso continua sendo verdade para você também!

Sim, esse livro vai falar de Deus. Ou de espiritualidade, o que você preferir. Pra mim, é Deus.

E Julia faz questão de dizer que o livro serve para todas as pessoas porque “a criatividade é a nossa verdadeira natureza”. De qualquer maneira, como ela mesma diz, “a teoria não importa tanto quanto a prática”. Se você estiver disposto a ler os 12 capítulos e fazer (a maior parte d) as tarefas proposta, você vai se tornar mais criativo. E transformar sua vida em sua obra de arte.

O Caminho do Artista

Em Novembro do ano passado, recebi um convite de uma amiga para participar de um grupo de leitura do livro “O Caminho do Artista”, da Julia Cameron.

Respondi na hora que queria participar, mas não tinha ideia do que o livro abordava. Como quase tudo na vida, respondi que sim por impulso e uma certeza de que, vindo de quem veio, o convite só podia ser algo muito positivo!

Sou assim: ajo por impulso e confio nas pessoas. Em poucas, é verdade. Mas nessas poucas pessoas, confio de olhos fechados.

No início de Dezembro, nos reunimos pela primeira vez. Foi amor à primeira vista. Sabe quando você lê algo que você concorda plenamente e pensa: “gente, eu já sabia disso, essa pessoa só colocou o que eu penso no papel”? Então. Foi isso.

Já comecei a compartilhar por aqui algumas impressões aleatórias do que tem sido esse processo. Mas hoje decidi documentar de forma organizada, por semana e em ordem cronológica. Assim eu também irei relembrar o que já vivi até aqui para ter mais consciência das mudanças que foram acontecendo.

O livro

“O Caminho do Artista” foi publicado em 1992, por Julia Cameron. Nos Estados Unidos e em outros países, o livro é um best seller e teve várias edições.

No Brasil, houve uma edição em 1996, mas atualmente é impossível encontrar uma versão impressa, inclusive na Estante Virtual. O material que estou lendo é um PDF, digitalizado do livro de alguém (com as anotações pessoais inclusas!). Tenho noção de que essa não é a forma ideal de ler um livro, seja por questões práticas ou legais, mas é a única forma de ler esse texto tão precioso…

A autora

Julia Cameron é uma escritora, roteirista e professora norte americana. No livro, ela compila em 12 capítulos as 12 semanas do curso que ministra há anos. O objetivo é ajudar “artistas bloqueados” a voltar a produzir.

Todas as tarefas, conceitos e aprendizados foram testados pela própria Julia, pois ela própria já esteve “bloqueada”. Para sair dessa situação e voltar a produzir, ela foi testando algumas coisas com si mesma, até chegar no seu próprio método e começar a ensiná-lo.

Apesar de ser uma artista “profissional”, o método da Julia pode ser usado por artista “não profissionais” ou até mesmo “não artistas”. Ou seja, serve para todos!

Afinal, independente do que a gente faça, ser criativo é sempre importante né?

E se você não concorda com nada disso, tudo bem. Julinha (a gente pega intimidade rápido) vai provar que tudo isso funciona pra você também.

É incrível.

Apertem os cintos e boa viagem!